13 Agosto, 2008
Eu corro o dia inteiro. Acordo, dou aulas, cuido dos meus meninos, faço almoço, faço alguns serviços externos, como banco, mercado, estas coisas, faço minha ginástica ou minha prática de yoga, vou pra aula de língua estrangeira, trabalho no site, atendo telefones e alguns alunos, atendo alguns emails de grupos dos quais participo, dou aulas novamente, cuido da janta ou do lanche da noite, fico com os meninos, com meu marido e finalmente vou dormir. No dia seguinte, tudo outra vez.
Eu corro o dia inteiro. Acordo, dou aulas, cuido dos meus meninos, faço almoço, faço alguns serviços externos, como banco, mercado, estas coisas, faço minha ginástica ou minha prática de yoga, vou pra aula de língua estrangeira, trabalho no site, atendo telefones e alguns alunos, atendo alguns emails de grupos dos quais participo, dou aulas novamente, cuido da janta ou do lanche da noite, fico com os meninos, com meu marido e finalmente vou dormir. No dia seguinte, tudo outra vez.
Mas você também corre o dia todo, aposto que corre!
As pessoas estão todas correndo, faz parte de nosso estilo de vida e são bem poucos aqueles que se deslocam de um compromisso para o outro sem pressa ou calmamente. São menos ainda as pessoas que têm poucos compromissos. Mesmo aposentados correm, nem que corram de um banco para outro resolvendo a burocracia que o governo lhes impõe ou de uma clínica para a outra com esta loucura de exames que os médicos pedem toda vez que inventamos de fazer um check-up ou investigar qualquer mal estar.
Não acho que seja o fim do mundo correr, até os bebês têm nascido de oito meses, parece que a humanidade está se reprogramando para esta aceleração. Se optamos por morar em cidades, demora deslocar-se de um local ao outro, ônibus cheios e atrasados, trânsito lento; então, quando finalmente estamos em um lugar, corremos para dar conta de tudo. É a vida neste século XXI. Dá para aceitar e aprender a viver com isso.
Meus filhos gostam muito de um desenho animado que se chama Bee Movie, A História de Uma Abelha. O personagem principal, Barry, está imensamente frustrado de seguir uma vida pacata dentro sua colméia, trabalhando por toda sua vida numa única função no fabrico do mel e, então, resolve ser o “ás do pólen” e sair da colméia para coletar néctar.
Nesta saída, ele topa com humanos, pela primeira vez, e decide que os humanos “são enormes e malucos e falam que nem malucos, e comem coisas que nem malucos e dirigem que nem malucos!” Tudo bem que Barry estava em Manhattan, mas, sim, parece que somos todos malucos com este ritmo frenético e arrumando sempre coisas para fazer, cursos para freqüentar, locais para conhecer, livros para ler e isso e mais aquilo e aquilo outro.
Desde que Fernando Pessoa disse que navegar é preciso parece que ficamos autorizados a navegar, sempre. E sempre avante.
Mas o verso continua e ele diz “viver não é preciso”. Pois é justamente isso: quem precisa viver afinal? Sentir o cheiro das flores, tomar um banho demorado de cachoeira, ficar quentando o sol num banco de praça, demorar duas horas para terminar o almoço, dormir mais duas para fazer a digestão, parar meia-hora para respirar e meditar… Quem precisa viver quando há tanto para se fazer, não é? Viver não é preciso.
Mas chega lá uma certa idade, depois que o gás da juventude nos mostra que trabalhar 10 horas por dia não está com nada, que sacrificar o tempo com a família não está com nada e que engolir um sanduíche em 10 minutos de almoço não faz nenhum bem para a saúde, que a gente questiona se aportar é que não seria preciso. Sim, aportar, encontrar um porto e baixar âncora. Parar. Ufa, parar.
No meu dia, eu paro, sempre paro e não é apenas quando durmo, porque quando dormimos a gente não pára, por incrível que isso possa parecer. Nosso organismo entra num metabolismo mais baixo, mas poderosas conexões químicas fazem um faxina no corpo, purificando-o dos excessos do dia. E já pensou no nosso coração?! Ele trabalha até quando dormimos, é abelha mais feliz na colméia de nosso organismo!
Eu ia falando sobre parar. Pois é: parar, parar mesmo, é quando você, conscientemente, diminui a respiração, fecha os olhos ou os mantém fixos em qualquer ponto e tenta silenciar a mente. Isso é aportar. E é muito, muito preciso.
Todos podemos aportar a mente, há técnicas para isso, instrumentos usados pelo yoga que nos conduzem, com precisão, até o ponto onde sentimos nosso centro se estabilizar. Há instrumentos que conduzem o navegador, precisamente, pelos mares e oceanos. E inclusive até o porto, seu destino final. Para vivermos esta louca vida, incerta, imprecisa, é importante lograrmos nosso porto seguro, parar e baixar âncoras, seja através da meditação, seja através de uma prática bem focada de asanas, quer através dos pranayamas, quer através de mantras.
Se você corre, experimente parar. Se é um corredor nato e acha que não suportaria uma aula de yoga, saiba que há estilos de yoga bem adequados ao seu jeito mais agitado. Hoje em dia, o yoga é mais atual que nunca. Nunca sabemos para onde vamos e o que nos acontecerá, mas quando nos deixamos conduzir pelo instrumental do yoga, podemos encontrar um destino seguro, que é o auto-conhecimento e a quietude que deixa a mente mais serena.
Experimente o yoga. Sou suspeita para lhe dar este conselho, mas suspeito que também vá lhe fazer muito bem.
Um abraço carinhoso, Mayra C. Castro.
Link do artigo: http://www.navrattna.com.br/blogs/juveve/?p=95

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